Foto: Rian Lacerda (Diário)
“Não adianta chorar, não adianta. Vão-se os anéis, mas ficam os dedos. E, com a força de Deus, vamos reconstruir tudo de novo.” Foi assim, com serenidade, que Sônia da Silva, 67 anos, reagiu ao incêndio ocorrido na própria sorveteria na manhã desta quinta-feira (12), na Rua Vicente de Prado Lima, nas proximidades da Faixa Velha de Camobi (ERS-509), em Santa Maria.
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A Star Sorvetes, administrada por Sônia e pelo marido, Orides da Silva, 71 anos, foi tomada pelo fogo no início da manhã. Quando as equipes do 4º Batalhão de Bombeiros Militar de Santa Maria chegaram, a fumaça já era intensa e as chamas avançavam pela parte superior da estrutura. A corporação atuou com um caminhão e uma viatura – destinada ao isolamento da área por causa do risco provocado pelo calor.
Quando concluíram o combate às chamas, os bombeiros retiraram de dentro do prédio o caixa do estabelecimento e o entregaram ao casal. Dentro, ainda havia dinheiro e alguns itens importantes.Parte das notas estava parcialmente queimada.
Após a liberação da área, Sônia e Orides entraram no que restou do comércio. O cenário era de destruição. Dos 16 freezers – avaliados em cerca de R$ 5 mil cada – sobraram carcaças danificadas. Aproximadamente R$ 25 mil em mercadorias também foram perdidos. Documentos do caixa também foram recuperados parcialmente, molhados e sujos pela água utilizada no combate às chamas. O prejuízo total é estimado em mais de R$ 100 mil.
Em meio aos escombros, Orides ainda tentou fazer graça ao comentar que “os sorvetes tinham sobrado”, já que estavam dentro dos freezers fechados. Mas os equipamentos ficaram comprometidos. Sônia contou que havia deixado um ventilador ligado, além dos freezers em funcionamento.
Comprometimento da estrutura
O estabelecimento está localizada entre residências. Em uma das casas ao lado, os vidros quebraram com a intensidade do calor. O prédio só não foi totalmente consumido porque o quartel dos bombeiros fica a poucas quadras dali, na Avenida Roraima, o que possibilitou uma resposta rápida.A fachada do prédio é de alvenaria, mas toda a lateral, os fundos e a estrutura de sustentação eram de madeira, o que facilitou a propagação das chamas.
O teto não chegou a desabar completamente, mas cedeu parcialmente. Por dentro, as paredes ficaram destruídas, a fiação foi comprometida e o calor foi suficiente para derreter mesas e cadeiras que ficavam na parte da frente do estabelecimento.
As causas do incêndio ainda são desconhecidas e deverão ser apuradas.
História
A história do casal com a sorveteria começou há 11 anos, quando vieram de Caxias do Sul para Santa Maria. Durante cerca de uma década, mantiveram o comércio em outro ponto da mesma rua, mais próximo da Faixa Nova de Camobi. Há um ano e meio, precisaram entregar o antigo imóvel e se mudaram para um espaço menor, na mesma quadra, para não perder a clientela.
Mesmo diante da perda, Sônia mantém o otimismo:
– Vamos ficar uns dias fechados, mas voltaremos. O pessoal gosta de nós e nós gostamos deles. Não podemos ir muito longe daqui, senão perdemos nossos clientes.
Orides, visivelmente emocionado e tentando resgatar o que ainda podia ser aproveitado entre os escombros, preferiu não se manifestar.
Vakinha
Familiares organizaram uma vakinha online para ajudar na reconstrução. A intenção é adquirir novos freezers e encontrar outro ponto próximo, para recomeçar o trabalho que, segundo Sônia, “não pode parar”.